Cidadão do mundo - Boletim da ADB (Associação dos Diplomatas Brasileiros

Dados do Instituto Rio Branco mostram que o interesse pela carreira

diplomática tem crescido nos últimos anos.O ingresso no Instituto Rio Branco está cada vez mais concorrido .

Foi dada a largada para quem pretende ingressar numa carreira que não pára de crescer no posto das mais invejáveis: a de diplomata. No dia 11 de fevereiro, mais de 6 mil candidatos fizeram o Teste de Pré-Seleção (TPS) para a entrada no Instituto Rio Branco (IRBr). O número de inscritos é quase recorde e a quantidade de vagas também vai por esse caminho, somando um total de 105. Ao longo dos anos, as provas sofreram mudanças, adaptando-se ao perfil de profissional que Itamaraty está buscando.

"Tradicionalmente, o perfil do diplomata era de gente nascida no Rio de Janeiro e com formação em Direito. Hoje em dia temos um número de formados em várias áreas e de todas as regiões do Brasil. Além disso, a agenda diplomática cobre vários assuntos e esse leque técnico pode ser muito útil", avalia o diretor do IRBr, embaixador Fernando Reis. Ele aponta a maturidade intelectual do candidato como a principal característica buscada pelo Itamaraty.

Na turma mais recente há um grande número de formados em áreas que divergem das normalmente seguidas por diplomatas. As clássicas formações em Direito, Ciência Política e, mais recentemente, Relações Internacionais, estão dividindo espaço no Rio Branco com Odontologia, Medicina e até Publicidade. A única exigência para ingressar no IRBr é o curso superior reconhecido pelo Ministério da Educação.

Novas regras :

Nos últimos anos, as regras de seleção têm mudado. O TPS, eliminatório, voltou a ter questões de inglês. Nas próximas fases, o candidato tem de estar com os conhecimentos em dia nas áreas de História do Brasil, Geografia, Política Internacional, Direito e Economia. As provas do TPS são objetivas e as fases seguintes de seleção são escritas.

O embaixador Fernando Reis destaca a capacidade de raciocínio do candidato como fundamental para conseguir chegar ao posto de terceiro-secretário do Itamaraty. "O sentido do exame é procurar avaliar essa capacidade de compreensão e análise. Tudo isso no sentido de uma maior democratização, correspondendo aos anseios da sociedade", complementa.

Com novas regras de seleção, a procura por um lugar ao sol no Rio Branco quase triplicou nos últimos seis anos. De 2.410 em 2000, o número de candidatos subiu, neste ano, para 6.285. A que se deve esse aumento na busca pela carreira diplomática? "As pessoas estão se dando conta de que as políticas internacionais, as relações internacionais, são algo importante. O Brasil, pelo seu status de país continental, era muito auto-suficiente. Hoje, há uma consciência maior de que o mundo conta para nós", explica Reis. O embaixador aponta também fatores como a globalização, difusão da Internet, e as políticas internacionais do atual governo como razões para o crescimento desse interesse.

 

Profissão da moda? :

O destaque da diplomacia nos últimos anos atraiu a atenção do paulista Álvaro Galvani, aluno do IRBr. "Sempre me atraíram temas envolvendo políticas externas e as relações do Brasil com outros países", lembra. Formado em Direito e Relações Internacionais, ele precisou de calma e paciência para passar nas provas. Ao todo, prestou quatro vezes o concurso do Rio Branco. Na primeira tentativa, até sofreu um colapso nervoso.

Outros alunos do IRBr herdaram o interesse pela carreira diplomática. A cientista política Bianca Xavier, recém-ingressa no Rio Branco, é filha de diplomata. Ela viajou o mundo ao lado pai e decidiu seguir os mesmos passos. "No Itamaraty, há a possibilidade de se lidar com temas variados, com uma grande rotatividade de assuntos. Além disso, conta muito a estabilidade num cargo público vitalício", argumenta.

Formação diversificada :

Se Bianca credita sua entrada no IRBr à carreira do pai, outros, com formação diversificada, acabaram se interessando pela diplomacia por meio de caminhos diferentes. É o caso do teólogo Luisivan Strelow, colega de Bianca. Strelow era capelão do Exército antes de passar na última seleção do Rio Branco e tinha a tarefa de lidar diretamente com militares presos e hospitalizados. "Minha missão no Itamaraty é uma continuidade do trabalho desenvolvido no Exército", acredita o teólogo, que já foi pastor luterano por dez anos. O crescimento da visibilidade do MRE nos últimos anos também foi um fator de apelo para Luisivan ingressar no Itamaraty.

No Rio Branco, Strelow está desenvolvendo sua tese na área de Direitos Humanos e reflete a diversidade por que passa o processo seletivo do IRBr. "O Itamaraty deixou de ser um tabu, que só gente rica, com nomes de família e conhecidos, pode freqüentá-lo", emenda o embaixador Fernando Reis. "Queremos gente com capacidade de aprendizado. O diplomata não nasce feito. Ele é 1% de talento e 99% de suor. E tem de estar estudando sempre", finaliza.




sábado 12 julho 2008 14:20 , em Carreira



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